Da medicina ao compromisso público: por que decidi dar este passo

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Há mais de três décadas, abri as portas do meu consultório pela primeira vez em Nova Serrana. Desde então, foram milhares de consultas, acompanhamentos, madrugadas de plantão e, acima de tudo, histórias de vida que se cruzaram com a minha. Cada paciente que atendi me ensinou um pouco mais sobre o que essa cidade precisa — não apenas em termos de saúde, mas de cuidado em todos os sentidos.

Hoje, sinto que chegou o momento de ampliar esse compromisso.

Trinta anos ouvindo Nova Serrana

Quem trabalha na medicina sabe: o consultório é um dos lugares onde as pessoas mais se abrem. Não é só sobre sintomas ou diagnósticos — é sobre a vida inteira que existe ao redor de cada queixa. Ao longo desses anos, ouvi relatos sobre dificuldades de acesso a exames, sobre a falta de estrutura em determinados bairros, sobre famílias que precisavam escolher entre tratar um problema de saúde ou dar conta de outras necessidades básicas.

Essa escuta constante foi moldando, aos poucos, uma vontade que já não cabia apenas dentro das quatro paredes do consultório: a de contribuir de forma mais ampla para a cidade que me acolheu e que ajudei a cuidar, uma pessoa de cada vez.

Por que dar esse passo agora

Não foi uma decisão tomada da noite para o dia. Foi um amadurecimento natural, construído consulta após consulta, ano após ano. A medicina me ensinou disciplina, escuta ativa, responsabilidade com o próximo e a importância de decisões bem fundamentadas — valores que pretendo levar comigo para essa nova etapa.

Aproximar-me da vida pública não significa deixar a medicina para trás. Significa, na verdade, expandir o alcance de um trabalho que sempre teve as pessoas de Nova Serrana no centro. É sobre transformar décadas de escuta em ação mais estruturada, capaz de impactar não apenas quem passa pelo consultório, mas a cidade como um todo.

O que pretendo levar dessa experiência

Da medicina, trago comigo alguns princípios que considero essenciais para qualquer compromisso público:

  • Escuta genuína — antes de qualquer decisão, entender de verdade o que a pessoa (ou a comunidade) precisa.
  • Responsabilidade com resultados — na saúde, cada decisão tem peso real na vida de alguém; esse cuidado não muda.
  • Presença constante — assim como um bom acompanhamento médico exige continuidade, o compromisso com a cidade também.
  • Empatia como ponto de partida — atender pessoas por tantos anos me ensinou que, por trás de cada demanda, existe uma história.

Um novo capítulo, o mesmo propósito

Se há algo que não muda é o motivo pelo qual escolhi seguir na área da saúde: o desejo de cuidar das pessoas de Nova Serrana. O consultório foi o primeiro espaço onde pude fazer isso. Agora, decido abrir espaço para uma forma mais ampla de continuar essa missão.

Essa nova etapa começa com a mesma pergunta que guiou minha carreira desde o primeiro dia: como posso ajudar de verdade?

Se você quiser acompanhar essa nova fase de perto, continue seguindo este espaço — as próximas conversas serão sobre os próximos passos dessa caminhada.

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