35 Anos de Cuidado: a Trajetória de Quem Nunca Deixou Nova Serrana

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Em 1990, cheguei a Nova Serrana para atuar no Hospital São José. Não imaginava, naquele momento, que essa cidade se tornaria o lugar onde eu construiria toda a minha história profissional — e boa parte da minha história de vida. Passaram-se 35 anos desde então, e uma coisa nunca mudou: eu fiquei.

O começo: 1990 e o Hospital São José

Lembro com clareza dos primeiros plantões. Uma cidade em pleno crescimento, uma estrutura de saúde ainda se organizando e uma população que precisava, acima de tudo, de presença. Foi ali, nos corredores do Hospital São José, que aprendi o que significa realmente cuidar de alguém: muitas vezes sem tempo para pensar duas vezes, guiada pela urgência do momento e pela responsabilidade com cada vida.

Esses primeiros anos moldaram a médica que eu viria a ser — alguém que aprendeu, desde cedo, que Nova Serrana não seria apenas um lugar de passagem.

Consultório, hospital, policlínica: um mesmo propósito em espaços diferentes

Com o passar dos anos, minha atuação foi se expandindo. Abri consultório, mantendo o vínculo direto e contínuo com pacientes que acompanho, em muitos casos, há décadas. Segui atuando no Hospital São José, onde a urgência e a gravidade exigem decisões rápidas e precisas. Passei pela Policlínica Municipal, entendendo de perto os desafios e as potencialidades do sistema público de saúde da cidade.

E, mais adiante, também atuei na medicina do trabalho — uma área que me aproximou de outra dimensão da saúde: a prevenção, o cuidado com quem constrói a economia local todos os dias, dentro das fábricas e empresas que movimentam Nova Serrana.

Cada uma dessas frentes exigiu de mim uma forma diferente de cuidar. Mas todas partiram do mesmo lugar: o compromisso com quem vive nesta cidade.

Por que ficar, quando tantos escolhem partir

Não é incomum que profissionais de saúde busquem, em algum momento, grandes centros urbanos — mais estrutura, mais oportunidades, outro ritmo de vida. Eu escolhi um caminho diferente. Escolhi ficar.

Fiquei porque, aqui, cada rosto tem uma história que conheço. Porque acompanhar uma família por gerações inteiras é um privilégio que poucos lugares oferecem. Porque Nova Serrana, com todos os seus desafios, também me deu a chance de crescer junto com ela — como profissional e como pessoa.

35 anos depois, o mesmo compromisso

Passadas mais de três décadas, o que sinto não é cansaço, mas gratidão. Gratidão por ter sido recebida por essa cidade em 1990 e por ter podido, desde então, retribuir esse acolhimento com cuidado, presença e dedicação constante.

Essa trajetória — do Hospital São José ao consultório, da policlínica à medicina do trabalho — não é apenas uma sequência de experiências profissionais. É a história de uma escolha renovada todos os dias: a de continuar ao lado da população de Nova Serrana.

Nos próximos textos, vou contar mais sobre os aprendizados dessas décadas e sobre os planos para os próximos capítulos dessa caminhada.

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